Após dias de monitoramento e sucessivos acionamentos da população, um lobo-marinho-sulamericano (Arctocephalus australis) juvenil foi resgatado em frente à Praia de Santa Teresa, entre os flutuantes do Iate Clube de Ilhabela, no Canal de São Sebastião, pela equipe do Instituto Argonauta para a Conservação Costeira e Marinha, que executa o Projeto de Monitoramento de Praias da Bacia de Santos (PMP-BS).
A operação contou com o apoio da Defesa Civil e da Secretaria de Mobilidade e Segurança da Prefeitura Municipal de Ilhabela, que disponibilizou uma embarcação para a realização da ação. Lobo-marinho resgatado (créditos: Instituto Argonauta) O animal vinha sendo observado com frequência nas proximidades de embarcações que trafegam pelo canal, uma área de grande circulação náutica no litoral norte paulista. Embora permanecesse ativo, apresentava baixa resposta à aproximação das embarcações, mantendo-se muito próximo delas mesmo durante sua passagem, comportamento que representava um risco iminente de colisões e outros acidentes.
Diante dos diversos registros e da necessidade de uma avaliação clínica mais detalhada, a equipe do Instituto Argonauta realizou a captura do animal. Como o lobo-marinho permanecia na água e em constante deslocamento, não era possível realizar um exame veterinário completo em campo. Após a contenção segura, foi possível constatar alterações clínicas que justificaram seu encaminhamento ao Centro de Reabilitação e Despetrolização do Instituto Argonauta, em Ubatuba, onde permanecerá sob cuidados veterinários especializados.
Na avaliação clínica inicial, a médica-veterinária Isabela Moreira constatou que o jovem lobomarinho estava magro e com uma lesão no olho esquerdo, além de apresentar machucados na orelha e na nadadeira peitoral esquerda, compatíveis com uma possível interação com petrechos de pesca.
“Apesar de estar responsivo e ativo, trata-se de um animal jovem que apresenta algumas condições clínicas importantes que exigem tratamento e acompanhamento contínuos. Durante a reabilitação, ele receberá todos os cuidados necessários para sua recuperação e somente retornará ao ambiente natural quando apresentar condições clínicas adequadas”, explica a médica-veterinária Isabela Moreira.
Lobo-marinho na caixa de transporte (créditos: Instituto Argonauta)

A diretora executiva do Instituto Argonauta e coordenadora técnica do Projeto de Monitoramento de Praias da Bacia de Santos (PMP-BS) no Trecho 10, Carla Beatriz Barbosa, ressalta que a decisão pelo resgate foi tomada com base em critérios técnicos e após dias de monitoramento do animal.
“Recebemos diversos acionamentos ao longo dos últimos dias e acompanhamos cuidadosamente o comportamento desse lobo-marinho antes de definir qualquer intervenção. Como ele permanecia na água e muito próximo das embarcações, a avaliação clínica em campo era bastante limitada. A captura permitiu que nossa equipe realizasse um exame mais detalhado e identificasse alterações que justificaram seu encaminhamento ao Centro de Reabilitação. Cada ocorrência é avaliada individualmente, sempre buscando a alternativa que ofereça maior segurança ao animal e às pessoas.” , explicou Carla Beatriz Barbosa.
Segundo o oceanólogo Hugo Gallo Neto, presidente do Instituto Argonauta e diretor executivo do Aquário de Ubatuba, o caso demonstra a importância da atuação integrada entre as instituições e da participação da sociedade na conservação da fauna marinha. “A conservação da fauna marinha depende da integração entre diferentes instituições e da participação da sociedade. Neste caso, os acionamentos da população permitiram o monitoramento contínuo do animal e contribuíram para que a equipe pudesse definir o momento mais adequado para a intervenção. Esse trabalho conjunto é essencial para que possamos atuar de forma segura, técnica e eficiente na proteção da fauna marinha.”
O lobo-marinho-sul-americano (Arctocephalus australis) ocorre naturalmente na costa da América do Sul, com colônias reprodutivas concentradas principalmente no Uruguai, Argentina, Chile e nas Ilhas Malvinas. Durante o inverno, especialmente indivíduos juvenis podem alcançar o litoral sudeste brasileiro durante seus deslocamentos naturais em busca de alimento. Nessa fase, alguns animais chegam debilitados ou apresentam lesões decorrentes da longa viagem e de interações com atividades humanas, tornando o atendimento especializado essencial para aumentar suas chances de sobrevivência. Durante o período de reabilitação, o animal permanecerá sob os cuidados da equipe do Centro de Reabilitação e Despetrolização do Instituto Argonauta, onde receberá tratamento para as lesões, alimentação adequada, monitoramento clínico e acompanhamento diário.
O Instituto Argonauta orienta que, ao encontrar mamíferos marinhos em praias, costões ou próximos a embarcações, a população mantenha distância, evite qualquer tipo de interação e acione imediatamente as equipes do Projeto de Monitoramento de Praias da Bacia de Santos (PMP-BS) pelo telefone 0800 642 3341 ou pelo WhatsApp (12) 99785-3615. O Instituto Argonauta, criado em 1998 pela diretoria do Aquário de Ubatuba, atua em parceria com o próprio @aquariodeubatuba.oficial nas ações de resgate e reabilitação de animais marinhos, contribuindo para a conservação da biodiversidade e a proteção da fauna costeira e oceânica. Além disso, é uma das instituições executoras do Projeto de Monitoramento de Praias da Bacia de Santos (PMP-BS).
