O “Mundo da Bola”, seção especial do Notícias das Praias durante a Copa do Mundo 2026, destaca neste domingo(14), o craque Dr. Sócrates, falecido em 2011. Em 1983, Sócrates curtiu um carnaval em Caraguatatuba, antes de se transferir do Corinthians para a Fiorentina, da Itália.
Por Salim Burihan
Esta semana, Sócrates foi relembrado em dois momentos importantes: no sábado(13), foi citado pelo prefeito de Nova York, Zohran Mamdani, durante a abertura do grupo do Brasil em Nova Jersey, destacando o futebol como mobilização social, relembrando a participação de Sócrates na Democracia Corintiana, da luta contra a ditadura e no movimento pelas eleições diretas.
Um dia, na sexta(12), Sócrates foi homenageado, através de sua família, com o colar de Honraria ao Mérito Legislativo, a mais alta condecoração concedida pela Assembleia Legislativa do estado de São Paulo, pelos relevantes serviços prestados ao estado e à sociedade brasileira.
Futebol

Sócrates, também chamado de Doutor Sócrates, por sua formação em medicina, foi revelado para o futebol pelo Botafogo, time de Ribeirão Preto (SP), onde começou nas categorias de base no início dos anos 1970. Ele atuou pela equipe do interior paulista entre 1973 e 1977.
Pelo Corinthians, o atleta conquistou o campeonato paulista de 1979, 1982 e 1983. Ele atuou pelo Timão até 1984, quando se transferiu para o Fiorentina, da Itália. O jogador também disputou duas Copas do Mundo pela seleção brasileira, em 1982 e 1986, oportunidades em que foi o capitão do time nacional. Pela Seleção Brasileira, o meia Sócrates disputou 63 jogos e marcou 25 gols. Nascido em 19 de fevereiro de 1954, em Belém, no Pará, Sócrates morreu no dia 4 de dezembro de 2011, aos 57 anos.
Caraguatatuba
Conheci o Sócrates, o “Magrão” no auge de sua fama, quando morava e estudava na capital. Era amigo do Vladimir e do Pita, jogadores que, além de atuarem no Corinthians, eram amigos pessoais do Magrão. Em 1983, Sócrates adquiriu um apartamento para a família no Condomínio Barramares, na praia Martim de Sá, em Caraguatatuba.

Quando o jogador iniciou as negociações para deixar o Corinthians e se transferir para a Fiorentina, na Itália, ele resolveu deixar a capital e vir para o apartamento em Caraguatatuba, junto com o presidente do clube, o Adilson Monteiro Alves.
Eu estava em Caraguatatuba, onde mantinha na época, um barzinho chamado Xameguinho. O Pita, que jogava com ele, me ligou pedindo que eu fosse até o apartamento e desse uma assessoria ao Magrão e ao Adilson. Fui até o apartamento e o Sócrates me pediu para descolar um lugar prá ele curtir o carnaval de salão.
Naquela época, o Recanto Ana, clube que existia logo no início da Rodovia dos Tamoios, promovia o melhor carnaval do Litoral Norte. Procurei o seu João, proprietário do clube e pedi que ele reservasse quatro mesas no salão, sem informar para quem seria a reserva. O Casagrande e o Vladimir, amigos do Magrão, e alguns jornalistas da capital, também, eram esperados na cidade, para curtir a folia no Recanto Ana.
Seu João alegou que não havia mais mesas disponíveis. Naquela época, o Recanto Ana, era o point do carnaval na região. Resolvi contar para o seu João que as mesas eram para o Sócrates e seus convidados, inclusive outros jogadores famosos e jornalistas renomados.
Seu João, abriu um sorriso e liberou as quatro meses. Antes de deixar o clube, pedi ao seu João que contasse para ninguém sobre a presença dos jogadores e jornalistas, pois o Sócrates, um dos mais queridos jogadores do Corinthians, não queria muito oba-oba.
A noite, antes de seguirmos para o Recanto Ana, Sócrates, Adilson e os jornalistas esportivos nos reunimos no apartamento da Martim de Sá para tomarmos umas e outras. Quando foi por volta das 23 horas, seguimos para o Recanto Ana.
Sabia que o local estaria lotado, mas fiquei tranquilo porque o Sócrates estava fantasiado de “Palhaço”, quase impossível de reconhece-lo durante o baile e carnaval. Mas, seu João tinha preparado uma surpresa que ninguém, esperava, nem o Sócrates: quando entramos no salão havia um espaço reservado e uma faixa enorme: “Bem Vindo Sócrates”.
Eu e o Adilson Monteiro Alves ficamos preocupados, mas o Sócrates não se importou e brincou o carnaval como há muito tempo não fazia. Poucos foliões, rodearam o jogador, a maioria respeitou e deixou o Sócrates muito à vontade. Deixamos o salão com o dia quase amanhecendo e fomos Xameguinho onde foi servido um caldo de galinha para que todos pudessem recuperar as energias. Foi meu último contato com o Magrão, por isso, guardo dele aquela imagem de um cara super animado e feliz.
Encontrei o Adilson Monteiro Alves outras vezes e ainda mantenho contato com o Pita e o Vladimir. Sócrates ao longo de sua carreira de jogador fez 298 jogos, marcou 172 gols e conquistou três campeonatos paulistas pelo timão. Teve passagens marcantes pela seleção brasileira, principalmente, nos mundiais de 82 e 86, comandando por Telê Santana.
*Com fotos e informações da Agência Brasil
