Na tarde desta quarta-feira, 01 de abril, as equipes do Instituto Argonauta, que atuam no Projeto de Monitoramento de Praias da Bacia de Santos (PMP-BS), foram acionadas para o atendimento a um elefante-marinho (Mirounga leonina), na praia de Boiçucanga, em São Sebastião.
Antes de se estabelecer no local, o animal foi observado ao longo da tarde em diferentes praias da região, como Barra do Sahy e Juquehy, aparentemente buscando um local adequado para descanso. Em alguns momentos, a aproximação e aglomeração de pessoas fizeram com que ele retornasse ao mar, até conseguir finalmente subir e permanecer em repouso em Boiçucanga.
No local, o animal encontra-se em repouso na faixa de areia, comportamento natural para a espécie. As equipes realizam o monitoramento contínuo e a avaliação da sua condição, incluindo a necessidade ou não de intervenção. Trata-se de um indivíduo jovem, que apresenta respiração tranquila, sem sinais aparentes de dificuldade, além de bom estado corporal. Aparentemente, o animal está em processo de muda, fase em que ocorre a troca da pele e dos pelos, sendo comum que permaneça por longos períodos fora d’água.
Durante a muda, é esperado que o animal permaneça imóvel por longos períodos, podendo apresentar aspecto de pele descamando, o que não deve ser confundido com doença. Os elefantes-marinhos são mamíferos marinhos típicos de regiões subantárticas, como a Patagônia e ilhas do Atlântico Sul. Eventualmente, indivíduos, principalmente juvenis, podem percorrer grandes distâncias e alcançar o litoral brasileiro.
“O aparecimento desses animais no litoral brasileiro não é incomum e ocorre com certa frequência, especialmente quando indivíduos jovens se deslocam para áreas mais ao norte”, explica o oceanólogo Hugo Gallo Neto, presidente do Instituto Argonauta e diretor executivo do Aquário de Ubatuba. “Esse deslocamento faz parte do comportamento natural da espécie e pode estar relacionado à busca por alimento, correntes oceânicas e processos de dispersão”, completa Gallo.
“É muito importante manter distância e evitar qualquer tipo de aproximação. O animal está em condição aparente normal, utilizando a praia para descanso, o que é esperado para a espécie, especialmente nesse período de muda. Nossa equipe seguirá monitorando e avaliando a condição de saúde do animal. Quando há interferência, ele pode retornar ao mar antes do necessário, o que causa desgaste e pode comprometer esse processo”, reforça a bióloga Carla Beatriz Barbosa, coordenadora do Trecho 10 do PMP-BS pelo Instituto Argonauta. As equipes de veterinários e biólogos do Instituto seguem acompanhando a ocorrência, garantindo a segurança do animal e da população.
Orientações importantes:
- Não se aproximar ou tocar no animal;
● Manter distância mínima;
● Evitar aglomerações;
● Não levar animais domésticos para perto;
● Não tentar devolvê-lo ao mar.
É importante destacar que, apesar de aparentar tranquilidade, o animal é silvestre e pode apresentar comportamento defensivo ou agressivo caso se sinta ameaçado, podendo causar acidentes. Ocorrências como essa reforçam a importância do trabalho contínuo desenvolvido pelo Instituto Argonauta, com o apoio do Aquário de Ubatuba, no monitoramento e atendimento à fauna marinha, contribuindo para a conservação das espécies e a orientação da população.
Sobre o PMP-BS
O Projeto de Monitoramento de Praias da Bacia de Santos (PMP-BS) é uma atividade desenvolvida como condicionante do licenciamento ambiental federal das atividades da Petrobras relacionadas à produção e ao escoamento de petróleo e gás natural na Bacia de Santos, conduzido pelo Ibama.
O projeto tem como objetivo avaliar os possíveis impactos dessas atividades sobre aves, tartarugas e mamíferos marinhos, por meio do monitoramento sistemático das praias, do atendimento veterinário aos animais vivos e da realização de necropsias nos animais encontrados mortos.
O PMP-BS ocorre ao longo da faixa costeira entre Laguna (SC) e Saquarema (RJ), sendo dividido em 15 trechos. Na área de São Paulo, o projeto é executado sob responsabilidade técnica da Mineral Engenharia e Meio Ambiente. Mais informações sobre o PMP-BS estão disponíveis em: www.comunicabaciadesantos.com
Sobre o Instituto Argonauta
O Instituto Argonauta para Conservação Costeira e Marinha é uma organização da sociedade civil, sem fins lucrativos, fundada em 1998, a partir da iniciativa da diretoria do Aquário de Ubatuba, com o objetivo de promover a pesquisa científica, a conservação ambiental e a educação para a sustentabilidade no litoral norte paulista.
Desde 2015, o Instituto Argonauta integra a rede de instituições executoras do Projeto de Monitoramento de Praias da Bacia de Santos (PMP-BS), atuando no Trecho 10, que compreende os municípios de Ubatuba, Caraguatatuba, Ilhabela e São Sebastião
