Afinal, de onde vem o esgoto que polui a Prainha, segunda praia mais frequentada em Caraguatatuba
Por Salim Burihan
Caraguatatuba começa o Outono com apenas uma de suas praias inadequadas para banho: a Prainha, por sinal, uma das mais frequentadas do município. A Prainha esteve imprópria para banho em 10 das 11 semanas de avaliação este ano. A Prainha convive com a poluição há muitos anos. Em 2024, durante as 52 semanas do ano, a Prainha esteve imprópria para banho em 25 semanas. No ano passado, esteve imprópria em 20 semanas. Até agora não se conseguiu descobrir de onde vem o esgoto que polui a praia. Das 98 praias monitoradas pela Cetesb na região, apenas 12 estão impróprias neste fim de semana, mas é triste saber que uma praia como a Prainha está poluída.

A Prainha é um dos cartões postais de Caraguatatuba. A praia de águas mansas e areias finas, é Ideal para banho de crianças e idosos. No passado, foi considerada a “Copacabana” do Litoral Norte. Uma de suas atrações é a Pedra do Jacaré, uma formação rochosa semelhante ao jacaré.
O que chama a atenção é que a região da Prainha possui saneamento básico e os bairros vizinhos, Martim de Sá e Sumaré, também. Outro detalhe interessante, nenhum rio ou córrego deságua na Prainha. É bom deixar claro que com a praia poluída, o banho de mar deve ser evitado, mas os banhistas podem frequentar a praia e os quiosques, sem nenhum risco.
Afinal, de onde vem o esgoto que polui a segunda praia mais frequentada de Caraguatatuba? Será que o aumento drástico de turistas no verão sobrecarrega a rede, causando transbordamentos em pontos próximos à orla? Será que após as chuvas, o escoamento superficial de ruas e galerias, acaba desaguando diretamente na areia? Será que tem esgoto de comércios e prédios sendo lançado ilegalmente na rede de águas pluviais? A prefeitura garante que não, pois a vigilância sanitária tem fiscalizado os comércios da praia. Alguns comerciantes, estabelecidos há muitos anos na praia, acredita que o esgoto é trazido pela corrente marítima? Será? Por enquanto, ainda é desconhecida a causa da poluição que atinge a Prainha. O NP decidiu, no ano passado, consultar a Sabesp, a Prefeitura e a Cetesb para procurar esclarecer o que acontece na Prainha. Confira:

Cetesb
A avaliação feita pelo Programa de Balneabilidade da CETESB indica no histórico da Prainha que as classificações anuais variam de Regular à Péssima, dependendo do ano. Nos últimos quatro anos a classificação anual da Prainha variou de Regular, em 2021, a Péssima, em 2024. No ano de 2025, até a coleta de 04 de maio, a Prainha permaneceu 78% do tempo na condição de Imprópria.
O parâmetro básico para a classificação das praias, quanto a sua balneabilidade, é a densidade de bactérias fecais. Os cursos de água que deságuam no litoral são os principais responsáveis pela variação da balneabilidade das praias, pois recebem a contribuição de esgotos domésticos não tratados e de carga difusa. Ainda, segundo a Cetesb, outro fator que influi na balneabilidade é a fisiografia: enseadas, baías e lagunas apresentam condições de diluição inferiores às observadas em regiões costeiras abertas. Esse pode ser um dos fatores que interfere na qualidade da Prainha.
A CETESB participa da fiscalização e licenciamento das instalações de Estações de Tratamento de Esgoto, Estações de Precondicionamento de Esgoto, e Emissários Submarinos no litoral de São Paulo. Nesses processos a interação com outros órgãos envolvidos é significativa no sentido de encontrar alternativas adequadas.
Sabesp
A Sabesp informa que o bairro da Prainha é atendido por sistema de esgotamento sanitário. São 160 km de redes coletoras (entre a Prainha, Indaiá, Centro e Martim de Sá) e 16 estações elevatórias (de bombeamento), que fazem com que 100% do esgoto coletado seja tratado nas estações Martin de Sá e Indaiá.
Segundo a Sabesp, a situação da balneabilidade das praias pode ser afetada por diversos fatores, como a correta destinação do lixo, que não deve ser jogado nas ruas ou rios, pois a chuva leva o material para o mar; e lançamentos irregulares de esgoto nas galerias pluviais.
Prefeitura
A Prefeitura de Caraguatatuba, informou que com relação a poluição que atinge a Prainha(Foto), a Secretaria de Meio Ambiente, juntamente com a Secretaria de Urbanismo, Vigilância Sanitária e SABESP, até o ano de 2016 realizavam uma investigação tendo em vista que no local não há um corpo d’água ou vala de drenagem que colabore de forma efetiva, dificultando assim que se consiga descobrir de onde surge essa fonte poluidora e se realmente é oriunda da Prainha.
A Prefeitura adianta que dará continuidade aos trabalhos de investigação. A Prefeitura esclarece que “é sabido que temos correntes marítimas que possam estar interferindo em alguma situação que não conseguimos ainda verificar”. Segundo a prefeitura, a situação da Prainha é diferente da do Indaiá, a Praia do Indaiá recebe águas do Rio Santo Antônio, por outro lado, a Prainha não tem essa contribuição de volume de água.
A Prefeitura finaliza, destacando que continua as execuções dos trabalhos de investigação pelas Secretarias Municipais de Urbanismo, Meio Ambiente, Saúde, através do setor de Vigilância Sanitária e a Sabesp.
