No Dia Nacional do Artesão, celebrado nesta quinta-feira (19), elas são as mais presentes: segundo dados do Programa do Artesanato Brasileiro (PAB), mais de 80% dos artesãos dos Brasil são mulheres. No Estado de São Paulo, as artistas do fazer manual contam com o programa Empreendedor Artesão, iniciativa da Secretaria de Desenvolvimento Econômico (SDE), para transformar o artesanato
em fonte de renda.
Entre as empreendedoras do programa, está a artesã de fibras naturais Luana Kogus, de Caraguatatuba, no litoral paulista. “O trabalho manual pode ser uma forma de sustento para a família. Eu sempre quis mostrar para outras mulheres que o artesanato pode ser uma fonte de renda e também uma forma de independência”, conta Luana, que também realiza oficinas para compartilhar técnicas do artesanato caiçara.
Filha de artesãos, Luana cresceu cercada pelo fazer manual. A mãe produzia brincos de miçanga e quadros de areia, enquanto o pai, pescador, trabalhava com folhas de coqueiro. O conhecimento familiar hoje se transformou em oficinas e workshops voltados a outras pessoas interessadas em empreender com o artesanato.
Para a artesã, o Empreendedor Artesão ajuda a ampliar o reconhecimento da atividade. “O artesão é empreendedor por natureza, e o programa está ajudando a gente a ser mais visto. Fiquei muito feliz de ter meu trabalho escolhido para o portfólio, é um incentivo muito bom para nós artesãos”, afirma.

Lançado em 2025, a iniciativa Empreendedor Artesão foi construída para fortalecer a atividade artesanal por meio de ações de qualificação, orientação e incentivo à formalização. Entre os principais instrumentos do programa está a Carteira Nacional do Artesão, documento que reconhece oficialmente o profissional e facilita o acesso a feiras, eventos e oportunidades de comercialização, além de aproximar os artesãos de políticas públicas e iniciativas de empreendedorismo. Desde o lançamento do programa já foram emitidas mais de 1.400 carteiras.
A presença feminina no artesanato também aparece em histórias como a da artesã Diná Looze, morada de Apiaí, no Vale do Ribeira, que encontrou na cerâmica uma forma de sustento para a família e hoje vive da produção artesanal. Diná começou a trabalhar com barro há cerca de 20 anos, inicialmente por curiosidade. Ao lado do marido, passou a produzir peças artesanais no sítio onde vivem, aprendendo todo o processo de produção desde a retirada da argila do barreiro até a secagem, queima e pintura natural das peças, feita com folhas da
mata que deixam marcas únicas no material.

Hoje, o casal vive exclusivamente da cerâmica e oferece oficinas para diferentes públicos, como escolas, crianças e idosos. Para Diná, iniciativas como o Empreendedor Artesão ajudam a dar visibilidade ao trabalho artesanal. “Nós artesãos muitas vezes ficamos escondidos, sem visibilidade. A carteira e as feiras ajudam a mostrar nosso trabalho e reconhecer o valor do fazer manual”, declara.
Como participar do Empreendedor Artesão
Os artesãos interessados em participar do programa devem solicitar primeiramente o seu cadastro do Sistema do Artesanato Brasileiro – SICAB, momento em que será emitida a sua Carteira Nacional de Artesão – PAB e Carteira de Empreendedor Artesão, documentos que reconhecem oficialmente o profissional da área. A emissão é feita após cadastro e avaliação técnica do trabalho artesanal. Mais informações sobre o programa e o processo de inscrição estão disponíveis neste link.
Para ampliar o alcance do programa, a Secretaria de Desenvolvimento Econômico também realiza as Missões Itinerantes do Empreendedor Artesão, que levam atendimento direto aos municípios paulistas. Durante as ações, são oferecidas orientações sobre a base conceitual do artesanato brasileiro, análise técnica e emissão presencial da Carteira Nacional e Estadual do Artesão, além de informações sobre acesso a capacitação e ao microcrédito produtivo do Banco do Povo Paulista. As próximas edições estão previstas para São José dos Campos, de 19 a 22 de maio de 2026, e Ribeirão Preto, de 29 a 31 de julho de 2026.
Sobre a SDE
A Secretaria de Desenvolvimento Econômico (SDE), do Governo do Estado de São Paulo, exerce papel fundamental para a reindustrialização e atração de investimentos com foco na geração de emprego, renda e desenvolvimento regional. Além disso, conta com programas de capacitação profissional e ações de fomento ao empreendedorismo, que incluem linhas de microcréditos do Banco do Povo. A pasta tem como instituições vinculadas: InvestSP, Desenvolve SP e Junta Comercial do Estado de São Paulo (Jucesp).

