Há 59 anos, o Litoral Norte enfrentava a maior catástrofe natural da história do Brasil até então.
Por Salim Burihan
Quem caminha hoje pelas avenidas modernas de Caraguatatuba, polo comercial e vibrante do Litoral Norte, dificilmente imagina que sob o asfalto e os jardins reside a memória de um cenário de guerra. Em 17 e 18 de março de 1967, o céu desabou: foram 580mm de chuva em apenas 48 horas — o equivalente a seis meses de precipitação concentrados em dois dias.
⚠️ O Cenário do Caos

O som não era de trovão, mas de terra e rocha se desprendendo. O que se viu foi uma “tromba d’água” sem precedentes que transformou a Serra do Mar em uma avalanche de lama:

- Isolamento Total: A cidade ficou sem luz, água, estradas ou comunicação. O mundo só soube da tragédia graças ao sinal de um radioamador, Thomaz Camanes Filho.

- Rios de Lama: Ruas viraram corredeiras que carregavam casas, árvores, animais e vidas. A Santa Casa(foto) e o estádio do XV foram soterrados.

- O Mar de Troncos: O oceano, antes azul, tornou-se um depósito marrom de lama e das mais de 30 mil árvores que desceram as encostas.

🗣️ “Nunca vi coisa igual”


O renomado professor Artur Casagrande, autoridade mundial em solos, veio ao Brasil a convite do governo. Sua conclusão foi drástica: “Isso só ocorre a cada milênio… Na história do Brasil nunca ocorreu nada igual”. Estima-se que mais de 2.000 pessoas perderam a vida, um número devastador para uma cidade que tinha apenas 15 mil habitantes na época.

💪 Do Luto à Luta: A Reconstrução

A dor foi acompanhada pelo abandono inicial e até por oportunismos políticos, mas a alma de Caraguatatuba provou ser mais forte que a lama:

- Resiliência Comercial: Apenas um ano após a tragédia, comerciantes fizeram carreatas em SP para provar que a cidade estava de pé.
- Transformação Urbana: Nas últimas décadas, a infraestrutura saltou de uma vila isolada para o maior centro de serviços da região, abrigando hoje mais de 135 mil pessoas.
- Memória Viva: A música “18 de Março”, de Davi Salamene e José Rodrigues da Silva, ainda ecoa como o hino de um povo que não esquece suas raízes, nem aqueles que se foram.
“Olhar para os ‘paredões’ sem vegetação na serra hoje é ler uma cicatriz aberta. Caraguatatuba não apenas sobreviveu; ela renasceu.”

18 de Março
Uma música, “18 de Março”, com letra de autoria do corretor de imóveis Davi Salamene, musicada pelo construtor e seresteiro José Rodrigues da Silva, revela, até hoje, toda a tristeza que tomou conta da cidade e do país com a tragédia ocorrida em Caraguatatuba. Confira: “18 de Março” interpretada por Sinésio:

