Motoristas utilizam “rota alternativa” para fugir de congestionamentos na Rio-Santos, em Ubatuba

A estrada municipal Rio Escuro/Jardim Carolina com 12 quilômetros, passando pelos bairros do Rio Escuro e Monte Valério, serve como “rota alternativa” para quem viaja entre Ubatuba e Caraguatatuba   

 

Por Salim Burihan

 

A cidade de Ubatuba, no Litoral Norte Paulista, com pouco mais de 92 mil habitantes, segundo o IBGE, deve receber cerca de 4 milhões de turistas entre o final de dezembro e o mês de março de 2026. Apenas no feriado de Natal e Ano Novo, serão 1,5 milhão de visitantes. No final de semana passado uma viagem entre Caraguatatuba e Ubatuba, de cerca de 57 quilômetros, chegou a levar mais de cinco horas. Tem sido assim, nos períodos de picos da temporada, todo verão.

 

Trafegar por Ubatuba fica bastante complicado na temporada, devido ao excesso de veículos, com frequentes congestionamentos em direção às praia do Norte(até a divisa com Paraty) e, também, em direção ao Sul(na divisa com Caraguatatuba). Para fugir dos congestionamentos, moradores e veranistas “buscam” por rotas alternativas, entre elas, a estrada que liga o bairro do Rio Escuro, no sul de Ubatuba, até o bairro Jardim Carolina, na região norte do município.

 

A estradinha, que tem cerca de 12 quilômetros de extensão, pista reduzida e corta parte do parque estadual da serra do mar, é usada para encurtar o acesso entre o sul e norte de Ubatuba e, também, para fugir dos engarrafamentos em trechos como o da Praia Grande.

 

Quem usa a Rio-Santo para ir da Praia Dura até o trevo de acesso à rodovia Oswaldo Cruz percorre cerca de 27 quilômetros, passando por praias como Domingas Dias, Lamberto, Santa Rita, Perequê Mirim, Enseada, Toninhas, Praia Grande e pelo trecho federal da SP-55 chegar até o trevo que dá acesso à rodovia Oswaldo Cruz.

 

Já quem optar pela estrada municipal Rio Escuro/Jardim Carolina irá percorrer 12 quilômetros, passando pelos bairros do Rio Escuro e Monte Valério e cruzando um trecho de 1,2 quilômetro dentro do parque estadual do Núcleo Picinguaba.

 

Viajar pela Rio-Santos é bem mais confortável. Duas pistas asfaltadas, boa sinalização, velocidade variando de 60 a 80 km/h e serviço de apoio ao longo dos 27 kms entre o Rio Escuro e o trevo de acesso à rodovia Oswaldo Cruz.

 

Pela estrada municipal, o motorista terá pista reduzida, variando de 6 a 9 metros de largura, três pontes, duas de concreto (a maior delas com 6 metros de largura por 7 de comprimento) e uma de madeira, medindo 5 de largura por 4 de comprimento.

 

O motorista também terá pela frente um trecho de serrinha de 1,2 km, justamente dentro do parque estadual, onde a pavimentação é de broquete. A sinalização vertical atende aos motoristas, mas a sinalização horizontal é deficitária. A velocidade média recomendada na estrada municipal é de 40 kms/h.

 

Ilustração de Leonardo Copelli, em seu trabalho de graduação em Engenharia Civil da UNESP, em 2015

 

Trilha

 

O ex-prefeito e historiador Zizinho Vigneron conta que a estrada do Rio Escuro era na verdade uma antiga trilha aberta no século XIX que no século XX foi sendo melhorada e transformada em estrada.

 

“Ela era conhecida como estrada da Berta (nome do Morro que forma uma serrinha para chegar no Rio Escuro). Zizinho foi diretor da Sudelpa que durante muitos anos cuidou da manutenção da estradinha onde existem muitos agricultores.

 

Em 2015, Leonardo Copelli, em seu trabalho de graduação em Engenharia Civil da Faculdade de Engenharia do Campus de Guaratinguetá(UNESP), fez um estudo aprofundado da estrada municipal. Segundo ele, a estrada originalmente seria trajeto da Rodovia Federal BR-101, conforme projeto do Dnit(Departamento Nacional de Infraestrutura de Transporte).

 

Segundo seus estudos, a estrada servia para escoar a produção agrícola desenvolvida entre o bairro do Rio Escuro e a comunidade do Sertão das Cotias, que era destinada à capital paulista, possivelmente o Ceagesp. Na região, se produzia na época, berinjela, abobrinha, pimenta e jiló.

 

O ex-prefeito Delcio Sato, informou que em seu governo, entre 2016 e 2020, conseguiu licenciamento para pavimentar 800 metros da estrada no interior do parque estadual e uma passagem paralela para animais.

 

Sato explicou que a estrada é usada para desafogar o trânsito na Rio-Santos e também, para agilizar serviços. “Ambulâncias e carros de prestadores de serviços, como água e energia elétrica, utilizam a estrada para agilizar atendimentos e fugir do congestionamento nos trechos como o da Praia Grande”, comentou.

 

Jaur Carpenetti, morador de Ubatuba, disse que sempre usa a estrada nos fins de semana quando viaja até Caraguatatuba para visitar seus parentes. “Além de economizar combustível, também economizo no tempo. Pela Rio-Santos, perderia mais de meia hora para ir do norte para o sul de Ubatuba”, afirmou.

 

O oceanógrafo Júlio César de Avelar, que mora em Angra dos Reis(RJ), nos feriados de Natal e Ano Novo, usa esse traçado para chegar em Caraguatatuba, onde vivem seus irmãos. “Nessa época o o tráfego fica congestionado e intenso entre a praias Grande e Lázaro, principalmente, e a gente perde muito tempo, tanto na ida, como no retorno de Caraguatatuba”, conta Júlio.

 

“Em dias de movimento encurta em 30 minutos a viagem”, confirmou. Ele recomenda, no entanto, muito cuidado ao volante para quem não está acostumado a usar a estrada: “Tem que ter muita atenção pois é uma pista estreita, de mão dupla e uma serrinha”, alerta.

 

Duplicação da Rio-Santos

 

Projeto de duplicação da Rio-Santos, entre Caraguá e Ubatuba

 

O governo do estado lançou em abril deste ano um projeto de duplicação da Rodovia Rio-Santos, entre Caraguatatuba e Ubatuba.  Moradores e veranistas de Caraguatatuba e Ubatuba, cujos bairros e praias serão afetados pelo novo traçado cobram do governo a realização de audiências públicas para supostas alterações no projeto original.

 

O projeto prevê a duplicação de um trecho de aproximadamente 45 km entre os bairros Jetuba (Caraguatatuba) e Praia Grande (Ubatuba), com obras de arte, rotatória e alças de acesso para melhorar a fluidez do trânsito ao longo da rodovia, principalmente, na alta temporada. O investimento com o estudo gira em torno de R$ 12,5 milhões.

 

O diretor-presidente da Concessionária Tamoios, Luis Felipe Neves, explicou durante o lançamento do estudo, que trata-se de uma rodovia de engenharia complexa e que a ideia é ajudar a projetar a melhor proposta para o trecho. Além da orla do Massaguaçu, em Caraguatatuba, a Rio-Santos terá duplicação nos trechos da Maranduba e Praia Grande, em Ubatuba.

 

No trecho 2, na praia da Maranduba, na região sul de Ubatuba, também, tráfego em duas pistas, separadas por um canteiro central, nova área para estacionamento na orla e travessias da pista subterrânea, acessibilidade nas travessias e arborização ao longo da duplicação.

 

No trecho 3, na orla da Praia Grande, já na chegada em Ubatuba, o projeto prevê pista duplicada, áreas de estacionamento, travessias de acesso, barreira verde ao longo da rodovia e baixo impacto visual na paisagem.

 

Boa parte dos moradores, veranistas e comerciantes da região do Jetuba, Capricórnio e Massaguaçu, defende que seja feito um novo acesso interligando as duas cidades, sem impactar a orla de trechos como Massaguaçu, Maranduba e Praia Grande. Eles defendem que o novo acesso seja idêntico ao contorno Sul da Tamoios, que passa por trás da orla de Caraguatatuba e São Sebastião, reduzindo o percurso e o tempo de viagem, sem impactar na orla e característica turística de regiões como a Enseada, Cigarras e São Francisco, por exemplo.

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