Projeto inédito no Brasil, que une sociedade civil, Estado e tecnologia, será apresentado na Climate Week 2025 pela conselheira estadual de mudanças climáticas Fernanda Carbonelli
Por Poio Estavski
A cidade de Milão, na Itália, receberá, entre os dias 22 e 24 de outubro, um dos principais encontros globais sobre emergência climática: a Climate Week 2025. O evento reunirá líderes internacionais, cientistas, gestores públicos e representantes da sociedade civil para debater soluções diante da crise climática.
Entre os palestrantes, o Brasil terá uma voz singular: a advogada Fernanda Carbonelli, cofundadora e diretora do Instituto Conservação Costeira (ICC) e conselheira estadual de mudanças climáticas em São Paulo (CEMC). Ela será a única brasileira convidada a apresentar sua experiência, levando à Europa o modelo de reconstrução socioambiental criado no Litoral Norte após a maior tragédia climática da história do país.
Do desastre à reconstrução
Em fevereiro de 2023, chuvas intensas devastaram o Litoral Norte paulista, deixando centenas de deslizamentos, milhares de pessoas desabrigadas e sérios impactos econômicos e ambientais.
Nos primeiros dias após a tragédia, Fernanda Carbonelli atuou na linha de frente da coordenação emergencial, articulando o atendimento a famílias desabrigadas, a logística de abrigos improvisados, a defesa civil, o Exército, bombeiros e voluntários. Essa vivência direta no epicentro da crise levou à convicção de que era necessário construir uma resposta estruturada, capaz de ir além da emergência.
Foi assim que nasceu um modelo inédito de restauração climática e resiliência comunitária, que une sociedade civil, Estado e comunidades atingidas em uma mesma frente de ação. O projeto, coordenado pelo ICC, articula inovação, restauração ambiental e fortalecimento social:
- Tecnologia e inovação: uso de drones e cápsulas biodegradáveis para reflorestar áreas inacessíveis, cobrindo 36 km de costa e restaurando mais de 200 hectares da Mata Atlântica.
- Restauração ambiental: recuperação de encostas em risco e proteção de espécies ameaçadas.
- Resiliência comunitária: implantação do programa Escola Segura em escolas públicas do município, levando educação climática a milhares de crianças e famílias, além da realização de oficinas climáticas com a população atingida, fortalecendo a capacidade de adaptação da comunidade frente a novos eventos extremos.
Cooperação que gera esperança

Esse modelo só foi possível graças à articulação entre sociedade civil, Estado e comunidades, com apoio da Secretaria de Meio Ambiente, Infraestrutura e Logística (Semil), da CETESB, da Fundação Florestal, da Concessionária Tamoios e de outros parceiros institucionais.
Do Brasil para o mundo
Para Fernanda Carbonelli, levar essa experiência a Milão é mostrar que a inovação também pode nascer em cenários de crise:
“Nosso modelo prova que sociedade civil, Estado e comunidades, juntos, são capazes de transformar tragédias em esperança. Levo comigo a voz das famílias que perderam tudo e a coragem de quem se organizou para reconstruir. O Brasil tem muito a ensinar ao mundo sobre resiliência”, afirma.
Com essa participação, o Brasil será destaque na Climate Week 2025 como referência em adaptação climática, inovação socioambiental e justiça social.

