Polícia Civil investiga nova rota do tráfico internacional de drogas no Litoral Paulista

Em março, Deinter 6, apreendeu duas toneladas de cocaína em um caminhão de reciclagem no Guarujá. Foto: Polícia Civil/Divulgação

 

 

 

As cidades do Litoral Paulista estão se transformando em entrepostos para a armazenagem de cocaína que abastece o tráfico internacional feito através de navios e embarcações. A droga viria do interior do estado e da capital paulista e estaria sendo armazenada,  em galpões ou marinas, antes de serem transportadas por navios ou em embarcações menores para o exterior. 

 

Em maio, 26 pessoas foram presas envolvidas no transporte de cocaína entre São Sebastião e Ilhabela, através de veleiros, para a África e  Europa. A quadrilha  tinha “exportado” mais de 8 toneladas de cocaína por veleiros nos últimos três anos, droga avaliada em cerca de R$ 1,32 bilhão, pela polícia federal.

 

Uma nova rota usada para transportar drogas entre municípios do litoral paulista foi descoberta por policiais civis da Divisão Especializada de Investigações Criminais (Deic) do Departamento de Polícia Judiciária do Interior 6. As drogas que, supostamente abastecem o tráfico internacional, estariam sendo armazenadas em Guarujá, Praia Grande e São Sebastião.   

 

A “nova rota para o tráfico internacional”, segundo a polícia paulista, teria sido descoberta em março deste ano, quando a Divisão Especializada de Investigações Criminais (Deic) do Deinter 6, apreendeu duas toneladas de cocaína em um caminhão de reciclagem no bairro Jardim Boa Esperança, no Guarujá. A droga apreendida está avaliada em R$ 40 milhões. Três homens, sendo um motorista e dois ajudantes, foram presos em flagrante na noite do dia 16 de março, um sábado.

 

Em junho, no dia 2, policiais do Deic do Deinter 6, apreenderam num galpão no município de Praia Grande, 105 quilos de cocaína. No local, um homem de 53 anos foi preso em flagrante. Ele seria o responsável por fazer a vigia do imóvel. A droga estaria avaliada em R$ 2,1 milhões. 

 

No último sábado, dia 14, policiais civis da Delegacia de Investigações Sobre Entorpecentes (Dise) de Mogi das Cruzes interceptaram uma carga com mais de 520 quilos de cocaína, no bairro Pontal da Cruz, em São Sebastião, no litoral norte paulista. 

Dois homens, o motorista e o ajudante, de 78 e 28 anos, pai e filho, foram presos e indiciados pelo transporte da droga, avaliada em R$ 10,4 milhões. A polícia paulista tenta identificar e prender a quadrilha que estaria usando as cidades do litoral paulista para o tráfico internacional de drogas.    

 

Embarcações

 

Tradicionalmente, a droga, principalmente, a cocaína, é transportada em contêineres pelo porto de Santos, ou misturada em cargas de milho e café ou ainda colocada no casco dos navios. 

 

Desde maio deste ano, a polícia federal e a polícia paulista investigam o tráfico internacional de drogas através do uso de veleiros que partem de São Sebastião e Ilhabela e das demais cidades litorâneas paulista, com destino a África e Europa.

 

Essa nova rota do tráfico internacional foi conhecida a partir de uma delação feita pelo velejador de São Sebastião, Flávio Fontes Pereira, de 58 anos, às autoridades norte-americanas a partir de sua prisão em 2023. 

 

Flávio era um velejador dos mais experientes, tendo .participado de várias expedições, entre 2003 e 2012, com Amyr Klink, renomado velador brasileiro. em 2021, ele teria sido procurado na cidade de São Sebastião, no Litoral Norte Paulista, por integrantes da quadrilha, para fazer o transporte de cocaína para o exterior em veleiros.

 

veleiro Lobo IV foi destruído pela guarda costeira americana

Flávio foi preso em fevereiro de 2023, quando a Guarda Costeira Americana interceptou o veleiro Lobo IV, que havia partido de Ilhabela, no Litoral Norte Paulista, com 3 toneladas de cocaína com destino à África. 

 

O veleiro, de bandeira brasileira, foi interceptado a 240 milhas da cidade de Douprou, na Guiné, oeste da África.Flávio cumpre pena na penitenciária Middle Florida State Prison, na cidade de Middleburg, na Flórida(EUA).

 

As informações dadas por Flávio ajudaram a DEA (Drug Enforcement Administration), a agência antidrogas dos Estados Unidos e a polícia federal brasileira a prender, em maio deste ano, 26 pessoas, envolvidas no tráfico internacional de cocaína, drogas levadas em veleiros, que partiram de São Sebastião e Ilhabela. 

 

A quadrilha chegou a movimentar mais de 8 toneladas de cocaína transportada por veleiros nos últimos três anos. A droga transportada foi avaliada em cerca de R$ 1,32 bilhão, pela Polícia Federal. Na penitenciária, em depoimento prestado à DEA, Flávio identificou os principais envolvidos na quadrilha, segundo ele, coordenada pelo Primeiro Comando da Capital, o PCC.

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