Consema apresenta avanços no monitoramento ambiental por imagem de satélite

Programa de Conservação da Araucária (Pró-Araucária): A araucária (Araucaria angustifolia) é espécie nativa da Mata Atlântica, classificada como ameaçada de extinção, com menos de 3% de sua cobertura original no território paulista.

 

O Conselho Estadual do Meio Ambiente (Consema) realizou, na última quarta-feira (25), a 454ª reunião ordinária, com apresentações sobre a evolução do Monitoramento Ambiental por Imagens de Satélite (MAIS) e sobre o Programa de Conservação da Araucária (Pró-Araucária). A sessão foi conduzida pelo subsecretário de Meio Ambiente da Secretaria de Meio Ambiente, Infraestrutura e Logística (Semil), Jônatas Trindade, representando a secretária Natália Resende.

Na abertura, o subsecretário apresentou um panorama das principais ações recentes da Semil. Entre os destaques, mencionou o nascimento de um primata no Centro de Conservação da Fauna Silvestre (Cecfau), em Araçoiaba da Serra, e o envio de um indivíduo ao Rio Grande do Sul como parte do programa de reforço populacional da espécie. “São Paulo é referência em conservação da fauna silvestre, e o Cecfau cumpre papel estratégico na reprodução em cativeiro e no manejo responsável das espécies”, afirmou.

Jônatas destacou ainda o fortalecimento da rede de Centros de Triagem e Reabilitação de Animais Silvestres (Cetras), com a ampliação e implantação de cinco unidades em parceria com a Unesp (Botucatu e Araçatuba) e com o DER (Itapeva, Presidente Prudente e Jales). A iniciativa ampliará a capacidade de atendimento a animais silvestres apreendidos ou resgatados.

Outros pontos abordados foram o programa Refloresta-SP, com repasse de R$ 1,9 milhão para restauração ambiental em Bragança Paulista; as ações de educação ambiental do Verão no Clima, que já coletou mais de duas toneladas de resíduos no litoral paulista; e iniciativas voltadas à resiliência hídrica, saneamento e gestão de resíduos sólidos.

Durante a reunião, o plenário aprovou o pedido de avocação do processo referente ao empreendimento da nova ligação entre o Planalto e a Baixada Santista, que será debatido na próxima plenária.

Monitoramento Ambiental por Satélite

Foi apresentada a evolução do Monitoramento Ambiental por Imagens de Satélite (MAIS), ferramenta da Semil voltada à identificação de intervenções irregulares com destruição da vegetação nativa e ao apoio às ações de fiscalização ambiental. Em operação desde 2013 e institucionalizado em 2018, o monitoramento passou por sucessivas atualizações tecnológicas. Inicialmente capaz de detectar alterações a partir de 2 mil metros quadrados, hoje o sistema identifica áreas de 400 metros quadrados, com algoritmos próprios e processamento em nuvem automatizado desde 2022.

Entre 2023 e 2025, o MAIS realizou até 18 ciclos de monitoramento por ano, cobrindo mais de 4 milhões de quilômetros quadrados em análises acumuladas. Nesse período, mais de 2,7 mil áreas com indícios de irregularidade, somando 5,3 mil hectares, foram encaminhadas à Polícia Ambiental. Dos casos indicados, 89% foram fiscalizados, resultando em autuações em 47% dos processos. O subsecretário ressaltou que o sensoriamento remoto fortalece a atuação preventiva do Estado e amplia a capacidade de resposta a infrações ambientais.

Conservação da Araucária

O plenário acompanhou a apresentação do Programa de Conservação da Araucária (Pró-Araucária), instituído pela Resolução Semil nº 23/2025 e coordenado pela Semil, operacionalizado pela Fundação Florestal. A araucária (Araucaria angustifolia) é espécie nativa da Mata Atlântica, classificada como ameaçada de extinção, com menos de 3% de sua cobertura original no território paulista.

O programa busca articular conservação ecológica, restauração ambiental e fortalecimento da cadeia produtiva do pinhão, com projeto piloto no município de Cunha, considerado refúgio da espécie. O modelo prevê Pagamento por Serviços Ambientais (PSA).

Fundação Florestal está desenvolvendo um projeto piloto de R$ 500 mil, podendo destinar até R$ 250 mil por organização local para apoiar o cultivo, processamento e comercialização do pinhão. Entre as metas estão o plantio de cerca de 10 mil novas araucárias e investimento total estimado em R$ 2,5 milhões.

Ao encerrar a apresentação, Jônatas destacou a importância da integração entre conservação e geração de renda. “O Pró-Araucária mostra que é possível proteger uma espécie ameaçada e, ao mesmo tempo, fortalecer a economia local, com participação ativa das comunidades”, afirmou.

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