O radialista e jornalista Weber de Carvalho, de 51 anos, será sepultado nesta quinta-feira, às 9 horas da manhã, no Cemitério Municipal de Caraguatatuba, no bairro do Indaiá. Weber faleceu devido a uma síndrome respiratória aguda grave (SRAG). Os exames coletados foram enviados ao Instituto Adolfo Lutz e os resultados devem ser informados dentro de 10 dias.
A Síndrome Respiratória Aguda Grave (SRAG) é uma definição clínica utilizada pela vigilância epidemiológica para identificar, monitorar e responder de forma oportuna às infecções respiratórias agudas com potencial de
disseminação e impacto na saúde pública. Pode ser causadas por diversos agentes etiológicos, como influenza, Sars-Cov-2, Vírus Sincicial Respiratório (VSR), entre outros vírus respiratórios circulantes.
Weber que trabalhava no site Repórter Online, na Rádio Morada FM e no Repórter Online Litoral, um programa de tv no YouTube, segundo alguns amigos, não andava bem de saúde desde o Natal. Reclamava do cansaço, falta de ar, de uma suposta gripe. Foi até a UPA passou pelo atendimento, achava que era apenas uma gripe e continuou trabalhando.
No Repórter Online Litoral, no YouTube, sua última participação ao vivo foi no dia 23 de dezembro, entrevistando o hoteleiro Rodrigo Tavano, sobre a ocupação de hotéis e pousadas para o réveillon. Na Rádio Morada, Weber, mesmo passando mal, participou dos programas ao vivo ou gravado, até o dia 2 de janeiro de 2026.

No início do ano, no dia 2, ele retornou a UPA, após a sua saúde piorar. A médica que lhe atendeu, recomendou que ele fosse encaminhado à Santa Casa ou Hospital Regional, pois o quadro de saúde dele era bastante preocupante. Foi acionado o secretário municipal de Saúde de Caraguatatuba, o Sergio Braz, o “Serjão”, que conseguiu interná-lo na UTI da Santa Casa de Caraguatatuba.
Serjão foi pessoalmente até a UPA ajudar a levar o Weber para a Santa Casa. Weber praticamente não conseguia andar devido aos problemas nos pulmões. Sentia muita falta de ar. Na Santa Casa, recebeu os atendimentos médicos devidos e ficou na UTI, sob medicação. No dia 3, precisou ser entubado. Não melhorou e veio a falecer, na manhã desta quarta-feira, dia 7. Ele faleceu às 6h23 da manhã desta quarta-feira, dia 7.
Weber, filho de dona Maria Aparecida da Silva Carvalho, deixa seis irmãos. O sétimo irmão, o Tiguera, mais novo que ele, faleceu no ano passado de câncer. Weber morava com a mãe, dona Maria , no bairro do Estrela D’Alva. Uma de suas maiores alegrias era cozinhar aos domingos para a mãe, sua grande paixão em vida.
Weber era caiçara, devoto de Nossa Senhora da Aparecida e corintiano. Adorava tomar umas e outras com os amigos nos fins de semana. Curtia música instrumental e músicas românticas. Era fanático pelas reportagens. Era um dos primeiros repórteres a dar as noticias diárias do Litoral Norte Paulista. Tinha dois bordões bastante conhecidos: “Aí, que susto” e “Coleguinhas da redação”, era com esse bordão que iniciava suas participações no Jornal da Morada, diariamente.
Carreira

Weber de Carvalho sempre foi um cara muito alegre, com aquele enorme sorriso no rosto. Foi um comunicador, como se diz na gíria, “eclético”, mas, com um estilo próprio. Trabalhou em jornal, no rádio, na TV e nas redes sociais. Nunca procurou copiar ninguém. Era simples e humilde. Sempre que surgiam dúvidas ou assuntos que não tinha muito conhecimento, fazia questão de consultar seus colegas.
Ele começou sua carreira de comunicador, atuando como “palhaço de circo”, nos anos 90. Ele e o Eduardo Campos, o “Dentinho”, trabalharam juntos no “Circo do Beijinho”, um radialista que mantinha um circo em Caraguatatuba. Chegou a promover eventos para as crianças no barro em que vivia.
No jornal impresso chegou a escrever no Jornal da Praia e no Noroeste News. Em rádio, ele começou a trabalhar nos anos 90. Primeiro, como operador de som, da antiga Rádio Oceânica. Alguns anos mais tarde, passou a trabalhar como repórter do programa “A Cidade se Comunica”, na Oceânica, na época comandado por Oscar de Oliveira. Weber adorava fazer reportagens ouvindo ou entrevistando o povo na rua.
Trabalhei com o Weber na Oceânica quando a emissora foi adquirida pela Praiamar Transportes. Ficava no estúdios da rádio e o Weber fazia as reportagens de rua ouvindo a população sobre os mais variados temas. Às quartas feiras, ele estava na feira livre, conferindo os preços dos legumes, verduras, das frutas e, é claro, aproveitava para saborear os pastéis. No contato com a população, sempre vinha com novas e boas pautas para o programa do dia seguinte.
Após deixar a Oceânica, junto com Eduardo Campos, manteve um programa de entrevistas na Rádio Integração FM. Logo em seguida, em 2000, trabalhou de freelancer, num programa de televisão que o Audísio da AVT Produções mantinha na TV Band Vale. Weber gostou de trabalhar na televisão e acabou comprando um horário na TV Band Vale para um programa todo seu: o Informe 30 Minutos, que era exibido aos domingos pela manhã.

Apaixonado por rádio, ele chegou a montar uma rádio pirata, a XFM, em sua própria casa, em parceria com o Eduardo Campos. Nos anos 2000, voltou a trabalhar na Oceânica e iniciou sus trabalhos nas redes sociais. Há alguns anos, trabalhava como repórter da Morada FM, com o quadro “Deu B.O”, diariamente.
No dia 23 de novembro de 2025, junto com Acácio Gomes, Fernando Cuíu e a AVT Produções, deu início ao “Repórter Online Litoral”, um programa diário de TV no Youtube. Weber estava fazendo o que mais gostava: entrevistas ao vivo ou gravadas, fora do estúdio, ouvindo as autoridades e o povo. Seu nome sempre será lembrado com muito carinho no jornalismo do Litoral Norte Paulista.
Amigos

“Um grande irmão que se preocupava com todos. Sempre procurando pacificar conflitos. Mas na brincadeira sempre um artista. Colocando fogo e jogando água, só para provar as pessoas que todos nós somos iguais e podemos se entender…Weber sempre significou a paz e o amor”, radialista Eduardo Campos, um de seus mais antigos amigos.
“O Weber foi uma das pessoas mais alegres que eu já conheci. Pra ele não tinha tempo ruim, sempre de bom humo, com a Adriana junto ele. O Weber foi a primeira pessoa que me estendeu a mão quando cheguei no Litoral, especificamente em Caraguá. Eu, meio que perdida na Delegacia, e ele observando e me levando pra conhecer todo mundo. É, meu irmão, agora suas palhaçadas vão deixar o céu mais alegre!” Jornalista Mara Cirino(Foto ao lado com o Weber).
“Gente, que tristeza perder essa pessoa que era pura alegria. Meus sentimentos aos familiares, amigos, companheiros de trabalho que estiveram com ele por tantos, mas não suficientes, anos de parceria”, Dinah Santos.
“Uma notícia muito triste. Uma pessoa do bem, que vai fazer muita falta. Que nosso amigo tenha o descanso eterno ao lado do Pai”, jornalista Júlio Buzi, seu colega na Morada FM.
“O Weber era um amigo, sempre sorridente, irreverente, ,mas, acima de tudo, um profissional exemplar. aquele que estava na notícia na hora em que ela acontecia. É uma perda irreparável para a região” ,jornalista Gustave Gama, colega de Weber na Morada FM.
“O céu recebe um ser muito iluminado, desprovido de egos, companheiro e de uma alegria incomparável!!!” radialista Lety, Caraguá FM.
“Meu amigo Weber de Carvalho, quero lembrar de você assim, com esse sorriso, essa alegria e até me chamando de louca, do seu jeito único de ser. Vai deixar saudade, mas também muitas lembranças boas. Que Deus te receba de braços abertos. Meus sentimentos a todos os amigos e familiares”, jornalista Fátima Marques.
“Na época em que o senhor José Massario tinha uma rádio comunitária na Praia das Palmeiras, Weber de Carvalho passou a atuar como repórter externo do programa do meu saudoso irmão Jota Mauricio.
E desde que o conheci, Weber, sempre demonstrou paixão pela reportagem, paixão pela notícia. No jornalismo local atuou movido por idealismo e, principalmente, por sua determinação inabalável. Sonhador, abriu portas, conquistou seu espaço, escreveu sua própria história. Na casa de meu Pai, existem muitas moradas, disse Jesus. Descanse em paz, guerreiro Weber de Carvalho”, radialista e poeta Maurício Neto.
Por Salim Burihan

