A Praia do Pinho é usada por naturistas desde 1983 e, desde 2006, era reconhecida oficialmente pela prefeitura como praia para a prática do nudismo. Foto: Reprodução FBrN
A prefeita de Camboriú(SC), Juliana Pavan (PSD), decidiu na quarta-feira, dia 17, revogar( proibir) a prática do naturalismo na praia do Pinho, considerada a primeira praia de nudismo “oficial” do país. A praia com cerca de 500 metros de extensão, era usada para prática do naturalismo desde a década de 80, mas oficialmente, a partir de 2006, quando foi incluída e reconhecida no plano diretor do município como praia reservada para o naturismo.
Nas areias da Praia do Pinho foi criada em 1988 a Federação Brasileira de Naturismo (FBrN). Em 2004, a praia passou a constar num guia das melhores praias naturistas do Mundo como a quinta praia mais bela do planeta neste quesito. Existem oito praias para a prática do naturismo no país: Pinho(SC), Pedras Altas(SC), Galheta(SC), Barra Seca(ES), Tambaba(PB) Massarandupió(BA), Olho de Boi(RJ) e Abricó(RJ).
A prefeita informou que, a proibição do naturismo na praia do Pinho será feita a partir de um decreto, mas passará a valer a partir de alterações no novo plano direto do município em 2026. A prefeita justificou sua decisão alegando que atende a reivindicações de moradores, da Guarda Municipal e da Polícia Militar. “Segundo ela, a Praia do Pinho perdeu o verdadeiro sentido de uma praia de naturismo e passou a ser utilizada para atos ilícitos e crimes sexuais”.
A Federação Brasileira de Naturismo lamentou a decisão da prefeita, alegando que a prefeitura está extrapolando os limites da especulação imobiliária, a ponto de dizimar a história em prol da degradação ambiental, para se tornar a Dubai brasileira, ou seja, o metro quadrado mais caro do Brasil”.
A presidente da FBrN, Paula Silveira, em declarações ao Uol, lamentou a decisão da prefeitura. “Naturismo não é crime. Atos criminosos se combate com a fiscalização do poder público e com ações individuais e não com a extinção do naturismo legitimo e histórico. Eliminar um direito cultural ao invés de enfrentar a criminalidade. Segurança se faz com o poder público presente e não eliminando o naturismo. Acabar com uma praia apenas, não resolverá os problema sociais e criminais, apenas sufoca a diversidade e retira os diretos naturalistas”, afirmou Paula.

