Agenda: “Almanaque Caiçara: Plantas, Ervas & Tradições”, será lançado dia 10, em Ubatuba

 

Será lançado no próxima dia 10em Ubatuba o Almanaque Caiçara: Plantas, Ervas & Tradições, uma obra que reúne o conhecimento de Denise Silva Luiz e Bado Todão sobre 30 ervas medicinais da Mata Atlântica e as muitas histórias que atravessam a cultura caiçara: arte, culinária, crenças, artesanato, música e festas populares.

 

O lançamento do livro será das 19 às 22 horas, na sede da Secretaria de Turismo de Ubatuba, situada na Av. Iperoig, 214, no centro de Ubatuba. Os livros estarão à venda no local e em breve também disponíveis online.

 

Denise e Todão criaram m 2012 o Ervário Caiçara localizado no Sertão do Ubatumirim, a 30 km do Centro do município. O Ervário é referência no cultivo e emprego de plantas medicinais no litoral norte paulista e sul-fluminense.

 

O Ervário conta com um modesto espaço de alojamento e estrutura dedicada a eventos, todos com enfoque em agricultura familiar, saúde e bem-estar, tendo como principais referências as tradições culturais e a ancestralidade.

 

Nesse recanto às bordas da Mata Atlântica acontece tradicionalmente  encontro de caiçaras de conhecedores de Ervas e Raízes Medicinais, com uma extensa programação , que incluí saídas de campo, oficinas, rodas de conversa e exibição de documentários – muitas delas gratuitas.

 

Os organizadores Denise e Bado asseguram que essa atividade tem como objetivo disseminar a importância das ervas e raízes medicinais, do conhecimento ancestral, científico, atuando de maneira direta na defesa e construção de um planeta melhor.

 

Denise

 

 

 

Como erveira naturalista, fitoterapeuta e idealizadora do Ervário Caiçara, Denise Silva Luiz personifica a resiliência, o conhecimento tradicional e o compromisso com a preservação e disseminação da cultura caiçara.

 

Nascida e criada em Ubatuba, Denise cresceu em um ambiente onde as plantas medicinais sempre fizeram parte do seu cotidiano. Ela aprendeu com sua avó paterna os segredos das ervas e levou esse conhecimento adiante, consolidando-se como uma referência na fitoterapia e na medicina tradicional do litoral norte paulista.

 

Após sua formação em Ciências Jurídicas e Sociais, Denise aprofundou-se no estudo das medicinas complementares e da fitoterapia, acumulando uma trajetória de pesquisas e aprendizado com mestres tradicionais, indígenas e especialistas. Radicada no Sertão do Ubatumirim, fundou, em 2012, ao lado do artista Bado Todão, o Ervário Caiçara, um espaço que vai além do cultivo de plantas medicinais: é um verdadeiro centro de saberes, onde a comunidade encontra apoio, conhecimento e acesso gratuito a tratamentos naturais.

 

Segundo a vereadora Jaque Dutra(PSB), de Ubatuba, que homenageou Denise, em março deste ano, na Câmara Municipal, com uma Moção de Reconhecimento e Congratulação”, o trabalho desenvolvido por Denise tem impacto direto na vida dos moradores da região. “O Ervário Caiçara tornou-se um ponto de referência, onde médicos e enfermeiros encaminham pacientes interessados na fitoterapia. Além disso, o projeto fomenta a troca de saberes por meio de oficinas e cursos, garantindo que o conhecimento tradicional continue vivo e acessível”, segundo Jaque.

 

A atuação de Denise também se estende para além do Sertão do Ubatumirim, participando ativamente de eventos e feiras comunitárias, onde compartilha seus conhecimentos em fitoterapia para incentivar o empreendedorismo feminino. Além disso, ministra oficinas sobre Ervas Medicinais e Cuidados com a Terra, sempre que é convidada. Também atua junto as comunidades caiçaras, indígenas, quilombolas e de profissionais de saúde, em atividades promovidas pela Fiotec, Fiocruz, Fórum das Comunidades Tradicionais e Observatório de Territórios Sustentáveis.

 

Todão

 

Nascido na charmosa Picinguaba, vila de pescadores artesanais ao norte de Ubatuba e, atualmente, vivendo no sertão do Ubatumirim, no “coração” da mata atlântica, Bado Todão (Foto), de 57 anos, é escritor, poeta, dramaturgo, músico, ator e diretor de teatro. Ele tem mais de 42 anos de convívio com as artes cênicas e literárias

 

Entre suas obras se destacam: “As palavras que eu conheço” (1992), “Canoinha Zarolha” (2008), “Mar és: narrativas caiçaras” (2015), “Ilha dos Tontos: Poesia Toda” (2019), além dos textos, A Saga de JorgeMarés, Causos de um Povo do Sol, e a ópera popular caiçara, As Lavadeiras de Rio e seus Amores de Mar contemplado com o prêmio Myriam Muniz de Teatro da Funarte em 2009, entre outros. É de sua autoria o Auto do Boi de Conchas, folguedo popular baseado em lenda homônima.

 

 

Desde o ano passado, Bado Todão, aos lado dos amigos Denise Luiz e Mirrah da Silva, moradores de Ubatuba, vem integrando o grupo cultural Ubacunhã, promovendo a cultura de Ubatuba, valorizando as histórias locais e fortalecendo a identidade caiçara. No ano passado, o grupo fez a leitura pública do roteiro cinematográfico “As Lavadeiras de Rio e seus Amores de Mar”. Desde o ano passado, Bado Todão é também o diretor do espetáculo de rua “A Encenação da Paixão de Cristo”, em Ubatuba.

 

 

Sobre o livro, “Linha do Jundu”, o seu primeiro romance, lançado em junho pela editora Haikai , uma editora independente que publica livros de diversos segmentos, o escritor conta que “o livro narra a autobiografia de um personagem fictício nascido e criado na beira do mar, desvendando as agruras de sua gente”.

 

 

Neste Linha do Jundu, o autor- reafirmando sua linguagem- desmistifica as alegorias e os folclorismos que estigmatizam os povos genuínos do litoral sudeste. Para além da paisagem bucólica e edênica que ilustra a narrativa, evidenciam-se as agruras e os percalços da vida, revelados a partir dos sentimentos mais puros e universais dos personagens.

 

“À penumbra daquele final de tarde, navegava empoderado, destemido, pertencente, rumo à Prainha e à minha velha casinha, para além da linha do jundu. À minha frente, como guia, nas alturas da serra Atlântica, surgia a primeira estrela – e chorei, feliz, por amar, revelando-se ali algo que eu procurava por todos aqueles meses passados em exílio e estudos bíblicos. Era o amor a maior emanação de Deus”

 

 

No litoral brasileiro, a “linha de jundu” refere-se ao limite da praia onde começa a vegetação natural ou, na ausência de vegetação, onde começa um outro ecossistema, como uma restinga. É um conceito usado na prática, especialmente para demarcar terrenos de marinha, em vez da linha da preamar média de 1831. O jundu é uma vegetação importante para a proteção costeira, ajudando a evitar a erosão das praias. 

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