Conheça o “guardião da costeira” de Caraguatatuba vencedor do 2º Prêmio AMVALE de Gestão Responsável 2025

Gigliardi Ferreira, de 45 anos, há dez anos limpa voluntariamente praias, mangues e costeiras em Caraguatatuba.

 

O projeto Guardião da Costeira de Caraguatatuba foi o vencedor da categoria Especial – Terceiro Setor do 2º Prêmio AMVALE de Gestão Responsável 2025. A cerimônia foi realizada na quinta-feira (27), em Tremembé (SP), e reconheceu iniciativas que fortalecem a transparência, sustentabilidade, eficiência administrativa e o impacto social positivo na gestão pública.

Prefeito Mateus Silva e Gigliardi Ferreira

Idealizado pelo morador Gigliardi Ferreira, o projeto mobiliza a sociedade civil para a proteção das áreas costeiras e para a promoção da educação ambiental, tornando-se referência em engajamento comunitário.

A premiação é organizada pela Associação de Municípios do Vale do Paraíba e Litoral Norte (AMVALE). Nesta edição, 34 cidades inscreveram 232 iniciativas, das quais 93 chegaram à fase final, distribuídas em 20 categorias.

 

Auracy Mansano, Mateus Silva, Ana Muri e Gigliardi Ferreira

Além da vitória na categoria especial, Caraguatatuba também se destacou como finalista em outras duas modalidades. O Festival do Mexilhão, desenvolvido pela Secretaria de Turismo em parceria com a Associação de Pescadores e Maricultores da Praia da Cocanha (MAPEC) concorreu na categoria 8 – Trabalho e Crescimento Econômico e, o Programa de Recuperação de Vegetação de Praias (Jundu), executado pela Secretaria de Meio Ambiente, Agricultura e Pesca, foi finalista na categoria 15 – Vida Terrestre.

 

De acordo com o ganhador do prêmio, Gigliardi Ferreira, a natureza foi a grande vencedora da noite. “Esse prêmio não é só meu, é de todos nós. Represento uma cidade que acredita na preservação e que me apoia nesse trabalho. Estar na cerimônia ao lado do prefeito, secretários, amigos e parceiros foi uma honra. Esse reconhecimento reforça que o trabalho está sendo feito e que a Secretaria de Meio Ambiente está de parabéns. Sou grato a todos que acreditam na causa. Esse prêmio é um mérito coletivo”, afirmou.

 

A premiação contou com a presença do prefeito Mateus Silva, do vice-prefeito Sérgio Braz, do secretário de Meio Ambiente, Agricultura e Pesca, Auracy Mansano Filho, da secretária-adjunta Ana Carolina Muri, do diretor de Desenvolvimento Ambiental e Saneamento, Luís Eduardo Duarte Fernandes, do presidente da Fundação Educacional e Cultural de Caraguatatuba (Fundacc), Adba Cuba, da coordenadora de Planejamento da Secretaria de Turismo, Bruna Caldas, e do presidente da Associação dos Maricultores e Pescadores da Cocanha (MAPEC), José Luiz.

 

O Guardião

Por Salim Burihan

Giliard Ferreira, de 45 anos, conhecido como o “guardião das costeiras” realiza há muitos anos um trabalho voluntário que tem repercutido na cidade e região. Ele se dedica a limpar praias, costeiras, mangues, ilhas e pontos turísticos há dez anos em Caraguatatuba, São Sebastião e Ubatuba. Ele limpa cerca de 40 praias, 18 delas em Caraguatatuba. Acredita que  retira 5 toneladas de lixo por ano, cerca de 50 toneladas nos últimos dez anos, incluindo, lixo procedente de outros países.

 

Giliard conta que após ficar desempregado decidiu criar um projeto para limpar as costeiras, praias e pontos turísticos. Em troca, ele recebe de lojas e restaurantes, alimentos, roupas, calçados e ajuda financeira para manter a família. Giliard trabalha de segunda até sexta-feira, em média, seis horas por dia. Usa luvas e botas, utiliza sacos de lixo grossos, devido ao recolhimento de materiais cortantes como vidros e uma espécie de “pegador” adaptado para recolher micro lixo.

 

Giliard recolhe lixo e micro lixo em locais onde os garis da Prefeitura da cidade ou da empresa terceirizada não conseguem chegar, como nas costeiras, encostas, mangues e trilhas. Ele explica que nas praias os lixos mais coletados são embalagens plásticas de alimentos, garrafas pets e latinhas de cerveja; nas costeiras, são lixos produzidos por pescadores: resto de iscas, pedaços de isopor, naylon e bitucas de cigarro; e, nos mangues e boca de rios, recolhe lixos que são produzidos nos bairros periféricos que são levados pela chuva e córregos: sapato, sofá, roupas e panela; nos pontos turísticos, explica que recolhe garrafas de água, embalagens de alimentos e bitucas de cigarro.

 

Ele conta que já encontrou coisas estranhas nas limpezas realizadas nas praias, mangues e costeiras. Em dezembro de 2019, por exemplo, durante a limpeza do mangue do Camaroeiro, em Caraguatatuba, ele encontrou uma granada de efeito moral, fabricada em 2010. O artefato, ainda intacto, foi entregue na delegacia de polícia da cidade e, em seguida, encaminhado para a Polícia Federal onde passaria por perícia técnica para apurar a procedência.  Ele também contou que já recolheu privadas abandonadas nos mangues e até em costeiras.

 

Segundo ele, “algumas relíquias” encontradas no lixo, entre elas, latinhas de refrigerante e cerveja comemorativas das copas do mundo de 1994 e 1998, leva para sua casa para compor o “acervo” que utiliza nas palestras que dá em escolas públicas e privadas. Giliard, que tem o segundo grau completo, sempre é convidado para dar palestras em escolas. Ele não cobra nada, apenas solicita um certificado para ampliar seu curriculum como ativista ambiental. Foram mais de 30 palestras até agora em Caraguatatuba, São Sebastião e Ubatuba.

 

 

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