Sérgio de Paula, jornalista investigativo, que vive em Caraguatatuba, publicou este ano o livro digital (e-book) que detalha o ataque a imagem da Santa Padroeira do Brasil em 1978. O jornalista quer agora levar a história para as telas do cinema ou adaptá-la para a TV ou streaming.
Por Salim Burihan
O jornalista Sérgio de Paula, de Caraguatatuba, será o convidado e entrevistado especial do programa PAIAIÁ, na Rádio Conectados, deste sábado, dia 18, às 12 horas, com apresentação de Carlos Silvio.
A Rádio Conectados está no ar desde julho de 2011 e é considerada a maior rádio web do Brasil. A emissora é um canal de comunicação entre a Fundação Nossa Senhora Auxiliadora do Ipiranga e a comunidade, com uma grande variedade de programação.
Sérgio de Paula, autor do livro ‘O quebra santa’, lançado em 2025, vai contar a história de Rogério Marcos de Oliveira, de 19 anos, que morava em São José, que em 16 de maio de 1978, foi até Aparecida, entrou na antiga basílica e destruiu a imagem de Nossa Senhora de Aparecida.
A imagem da santa, resgatada por pescadores em 1717, feita de barro, com 36 centímetros de altura e pesando 2,5 quilos, ficou bastante danificada: originalmente policromada, a estatueta ficará enegrecida pelo tempo submersa nas águas do rio.
Após o ataque à imagem da santa- que ficava exposta aos fiéis na Basílica Velha, naquela época, não tinha a proteção que tem hoje, Rogério quebrou o vidro que protegia a imagem, que ficava a 2,20 metros de altura, e pressionado pelo guarda que estava no local com a imagem nas mão, soltou-a ao chão. Era a última missa, às 20h10, do dia 16 d maio de 1978. Rogério fugiu, mas foi detido por dois guardas a 500 metros da Basílica Antiga. Preso e levado para a delegacia da cidade, e depois, para a Santa Casa de Aparecida, onde foi medicado e recebeu curativos.
O caso teve repercussão internacional. Rogério tornou-se conhecido em todo o país, como o ‘maior iconoclasta do Brasil’. O jovem, para não ser linchado, foi removido para a cadeia de Guaratinguetá, depois para uma clínica em São José dos Campos. O inquérito seria posteriormente arquivado. Rogério nunca respondeu pelo atentado à santa.

A imagem da santa despedaçada(Foto) em 165 pedaços levou 33 dias para ser restaurada. A restauração foi feita pela artista plástica Maria Helena Chartuni, chefe do Departamento de Restauração do Masp (Museu de Arte de São Paulo).
Diagnosticado com esquizofrenia, Rogério passou por diversas internações em clínicas psiquiátricas. Ele morreu atropelado quando atravessava com os olhos fechados a Via Dutra- espécie de roleta-russa que praticava, em 25 de maio de 2011. Foi sepultado no Cemitério Padre Rodolfo Komorek, em São José dos Campos.
Sérgio Roberto de Paula

“Fez roleta-russa na via Dutra – atravessando a estrada com os olhos fechados – e depois foi quebrar a verdadeira imagem de Nossa Senhora Aparecida, a Padroeira do Brasil, em 165 pedaços. Era a terrível noite de 16 de maio de 1978: o início do inferno na vida de Rogério Marcos de Oliveira. Eu conheci o cara em 1994. Ele me contou tudo”, detalha na contracapa do livro, o jornalista Sérgio de Paula.

O jornalista com passagens por jornais de Campinas ( Diário do Povo) e São José dos Campos (ValeParaibano) e atualmente produtor de conteúdo do Peixe Fresco, canal no YouTube, quer levar essa história para as telas do cinema ou adaptá-la para a TV ou streaming. “Estou procurando algum produtor ou diretor de cinema interessado. Essa história- do ataque a santa padroeira do Brasil mexeu com todo o país. O Brasil é o país com o maior número de católicos do mundo (atualmente, são 182 milhões de fiéis). Eu conheci o cara em 1994 e ele, me contou tudo. O livro detalha todo o episódio. Agora, é hora de levar essa história para telas do cinema ou adaptada para a TV ou streaming”, afirma o jornalista.
Sérgio conta que na década de 90, veio a conhecer e q conviver com Rogério, o autor do atentado à imagem da Padroeira do Brasil. “Não imaginava que, anos depois, fosse conhecer o autor desse atentado. Primeiro como jornalista e depois como vizinho em São José dos Campos. Moramos muito próximos, separados por poucos quarteirões, na década de 90. Sempre tive interesse pela história e, por este motivo, conversei com ele por diversas vezes”, conta.
“Depois de conhecer a versão dele sobre os fatos, assumi o compromisso de escrever o livro contando a história dele e do atentado. Para colher as informações passei meses me encontrando com ele entrevistando o guarda que tentou contê-lo, o guardiã da santa e o padre Júlio Brustoloni, historiador, que falou em nome da igreja. O livro com 102 páginas, levou 30 anos para ser finalizado. O livro digital pode ser adquirido na Amazon e custa R$ 10,00.

