Caraguatatuba viabiliza ações para acabar com a sazonalidade e garantir turismo o ano inteiro

Prefeitura de Caraguatatuba busca novos atrativos e estratégias para atrair turistas o ano inteiro; Porto Seguro(BA) acabou com a sazonalidade promovendo e criando eventos fora dos meses de verão e, hoje, atraí turistas o ano todo.

 

Por Salim Burihan

 

A 22ª edição do Abeta Summit, uma espécie de congresso sobre turismo de aventura e ecoturismo, considerado um dos mais importantes do país,  encerrado ontem, sábado, dia 6, em Caraguatatuba, teve uma programação das mais interessantes com palestras e oficinas com participação de especialistas no desenvolvimento do turismo. Um painel  debateu um assunto importantíssimo para o Litoral Norte Paulista: como “ir do turismo de veraneio ao turismo do ano inteiro”.

 

 

O tema foi debatido na sexta(5), com a participação do secretário de Turismo de Porto Seguro(BA) Guto Jones e Bianca Colepicolo, secretária de Turismo de Caraguatatuba com a mediação de Marina Figueiredo – Presidente Executiva da Associação Brasileira das Operadoras de Turismo (BRAZTOA). Repensando Ciclos e Impactos: Do turismo de veraneio ao turismo do ano inteiro. Ou seja, como acabar com a sazonalidade e garantir turismo o ano inteiro nas cidades litorâneas, um tema importantíssimo para Caraguatatuba e as demais cidades do Litoral Paulista.

 

Caraguatatuba é um dos muitos destinos que vive o drama da sazonalidade, com alta demanda de turistas no verão e feriados prolongados e vários meses de baixa movimentação turística, o que acaba gerando desequilíbrios econômicos, ambientais e sociais.  Guto Jones, o secretário de turismo de Porto Seguro, contou como sua cidade acabou com a sazonalidade e há 15 anos recebe turistas o ano inteiro.

 

No ano passado, Porto Seguro recebeu 2,5 milhões de turistas. O turismo em Porto Seguro emprega mais de 80% dos moradores da cidade. No primeiro semestre de 2025, Porto Seguro, no extremo no sul da Bahia, ficou em sétimo lugar no ranking nacional sobre destinos turísticos brasileiros com melhor desempenho no setor hoteleiro, ficando atrás apenas do Rio de Janeiro(1º), São Paulo(2º), Porto de Galinhas(3º), Gramado(4º), Maceió(5º) e Foz do Iguaçu(6º).

 

“A gente distribuiu os eventos da cidade no período da baixa temporada, solicitamos as operadoras que viabilizassem os voos fretados também nos meses fora do verão, estimulamos  o trade a oferecer tarifas mais baixas fora da temporada,  implantamos novas opções turísticas como visitas as aldeias indígenas, a observação de baleias que vai de junho até outubro, o avistamento de aves, a visitação aos nossos parque nacionais, em  busca de novos públicos. Hoje, nos meses mais críticos a  nossa ocupação hoteleira é de 60 a 70%”, contou Guto.

 

Secretário de Turismo de Porto Seguro(BA) e Guto Jones

Segundo ele, o primeiro passo foi acabar como estigma de que Porto Seguro era uma cidade apenas para estudantes em busca de sol e praia. Mostramos a diversidade que a cidade oferece através de projetos culturais, de ecoturismo, de passeios náutico, de observação de baleias e  passamos a distribuir os eventos no período da baixa temporada. “O segundo passo foi o acordo com as operadoras para que agendassem voos fretados também para os meses após o verão e que o trade reduzisse o valor das tarifas  nesse período”, detalhou.

Guto destacou a importância da participação do trade, o receptivo  a hotelaria. ” A prefeitura e  a secretária de turismo são o vento. O trade é a vela, que nos direciona, que nos norteia e diz para onde vamos. Se o trade entende que deve ser feita uma ação em determinado estado para atrair turistas, nós iremos investir lá. Se a prefeitura não tiver recursos, o trade banca as ações.  Precisamos ainda envolver nessas ações os restaurantes e as operadoras da cidade”, explicou.

Porto Seguro tem 180 mil habitantes, 90 quilômetros de praia e uma hotelaria com 70 mil leitos.  No primeiro semestre deste ano, segundo a ANAC, o aeroporto de Porto Seguro foi o quarto em movimentação no Nordeste com 1, 17 milhões de passageiros, ficando atrás apenas de Salvador, Recife e Fortaleza.  “Nossa cidade vive exclusivamente do turismo, nossa cidade não tem outra renda. A tendência é sempre crescer, mas com qualificação e ordenamento do turismo”, complementou.

Caraguatatuba

 

 

Secretária de turismo de Caraguatatuba, Bianca Colepicolo

A secretária de turismo de Caraguatatuba, Bianca Colepicolo, explicou que o prefeito Mateus Silva tem como prioridade desenvolver estratégias para acabar com a sazonalidade, fazendo com que a cidade receba turistas o ano todo, incrementando a economia e gerando empregos ao longo de todo o ano.  Segundo Bianca, o município, além de possuir excelentes atrativos naturais, investe em bons eventos ao longo de todo o ano para estimula o turismo e incrementar a economia local.

 

 

 

“Estamos mapeando inicialmente todos os atrativos que a cidade já tem como o Rio Juqueriquerê, único rio navegável do Litoral Norte; o parque estadual da Serra do Mar, com suas trilhas, cachoeiras, vida silvestre e observação de aves e primatas; a Vila Cocanha, e sua produção de mexilhão, única vila do estado de São Paulo que concorre ao prêmio mundial d vila turística pela organização mundial de turismo cujo prêmio será divulgado e  entregue em novembro na Arábia Saudita; o mirante do Santo Antônio, incluído no turismo da fé e um dos principais pontos de voo livre no estado de São Paulo; e, o turismo náutico, através dos passeios, dos pontos de mergulho na Ilha Tamanduá  e das atividades esportivas como a a vela, o surfe, o kite surfe, a canoagem, entre outros.    Tudo isso, além dos eventos culturais e esportivos estão sendo divulgados junto as operadoras de turismo para mostrar que Caraguatatuba  oferece atrativos o ano todo”, contou Bianca Colepicolo.

 

As ações da prefeitura e da secretaria de Turismo contam com a participação do trade local. “Temos feito reuniões desde janeiro com diversos segmentos diferentes  aí, cada um deles foi apresentando as suas necessidades e sugestões. Quando realizamos rodada de negócios com as operadoras de turismos contamos com a participação de todo os hotéis e pousadas. No próximo fim de semana, 14 e 15 de setembro, iremos promover uma feira de casamentos com 42 empresas da cidade que atuam nesse segmento, queremos transformar Caraguatatuba numa “wedding Destination” (destino de casamentos) . Além de cadastrar as 42 empresas que atuam nesse seguimento, fizemos o mapeamento dos locais para casamento, inclusive, a beira mar”, revelou.

 

Segundo Bianca, o fato de Caraguatatuba ser o centro do Litoral Norte, estar a poucas horas de São Paulo, Minas e Rio de Janeiro, possuir bons acessos como a Tamoios, também, já pode contar com o aeroporto de São José dos Campos que deverá ser internacional pela estrutura que possuí.  “A empresa que opera o aeroporto já mantém contatos com as prefeituras do Litoral Norte e operadoras de turismo para formatar pacotes envolvendo as cidades do Vale do Paraíba, como Campos do Jordão e Aparecida e as cidades do litoral. Por exemplo, terá um pacote turístico religioso com Aparecida e Caraguatatuba  outro com Campos do Jordão  Caraguatatuba, ou seja, o turista aproveita alguns dias na serra e, outros, a beira mar através de voos feitos pelo aeroporto de São José dos Campos. São pacotes que serão lançados em Goiânia e Belo Horizonte, ainda em setembro e na FIT(Feira Internacional de Turismo de Buenos Ayres, na Argentina, no final deste mês”, adiantou.

 

Bianca comentou que a implantação de um hotel de bandeira internacional em Caraguatatuba –  o Hampton by Hilton Serramar,  em final de construção no Serramar Shopping, com 175 quartos, incluído no plano de expansão da rede Hilton no Brasil, deverá ajudar a incrementar o turismo no município e região. Segundo ela, Caraguatatuba receber uma hotelaria deste porte e com a marca Hilton, reconhecida internacionalmente,  amplia a visibilidade econômica e turística da cidade e deverá atrair outros investidores.

 

A atividade turística em Caraguatatuba é responsável por 12% dos empregos formais na cidade.  Bianca acredita que esse índice seja bem maior  se envolver a cadeia produtiva e aqueles que atuam na informalidade. Segundo a secretária, o Programa Estadual de Desenvolvimento das Cadeias Produtivas Locais( SP Produz) que tem como objetivo fortalecer as cadeias produtivas locais de São Paulo, estimulando a auto-organização de aglomerações produtivas setoriais e promovendo o desenvolvimento econômico regional,  reconheceu duas cadeias produtivas no município: a produção  do pescado e o turismo sustentável.

 

Caraguatatuba tem mais de 142 mil habitantes, 18 quilômetros de praias e, em 2024, segundo a prefeitura, recebeu cerca 1,6 milhão de turistas apenas entre o final de dezembro e o mês de março, considerada a alta temporada. A sazonalidade prejudica a economia, os empresários do setor e principalmente, população trabalhadora. Em 2024, por exemplo, no acumulado do ano, a cidade registrou 12.443 admissões contra 11.979 desligamentos, resultando em um saldo positivo de 464 novas contratações, segundo dados da prefeitura, na época. É tradicional na cidade, hotéis, pousadas, restaurantes, quiosques e o comércio de uma maneira geral,  promover grandes contratações, para e durante a temporada de verão. Passada a temporada ou o carnaval, boa parte dos trabalhadores são demitidos, devido a queda no movimento turístico. Com o fim da sazonalidade essa realidade deverá mudar.

 

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