Para conter erosão em praia, Camboriú(SC) investe R$ 53 milhões na construção de muro subterrâneo

Muro construído em praia de Caraguatatuba(SP), em 2006, para conter avanço do mar foi destruído pelas ressacas

 

Após investir R$ 67 milhões no projeto de “engordamento” da Praia Central de Balneário Camboriú, em 2021, obra que  permitiu que a praia passasse de 25 metros para 70 metros de largura, a prefeitura da cidade investe agora R$ 53 milhões na construção de um muro subterrâneo para proteger a orla contra inundações. A obra iniciada em na semana passada deve ser finalizada no segundo semestre de 2026. 

 

Essa obra, do muro subterrâneo, foi iniciada na semana passada. Segundo a prefeitura local, o muro com seis quilômetros de extensão por dois metros de profundidade, visa proteger a faixa de areia alargada dos problemas de alagamento causados por marés altas e também integra a reurbanização da Praia Central. 

 

O objetivo do engordamento, era proteger a orla da erosão marinha e aumentar o espaço para lazer. No entanto, o projeto teve desdobramentos, como o surgimento de poças e lagoas na areia em alguns trechos e a necessidade de um muro subterrâneo para proteger a orla contra inundações em 2025. 

 

As obras, tanto de engordamento, como a do muro subterrâneo, em construção, tem como objetivo preservar a orla contornada pela Avenida Atlântica, onde estão localizados os prédios mais altos e mais luxuosos da cidade, que possuí os imóveis com o custo do metro quadrado mais caro do país.

 

Segundo a prefeitura, as obras de reurbanização da orla da Praia Central avançam em Balneário Camboriú. Teve início nesta semana a construção do muro de proteção costeira – estrutura que funcionará como contenção e barreira contra a erosão.

 

A fase de implantação do canteiro de obras foi concluída na semana passada, incluindo a instalação dos tapumes e as ligações provisórias de energia, água e esgoto necessárias para a execução dos serviços. O trabalho segue um processo semelhante ao utilizado na macrodrenagem, envolvendo escavação, rebaixamento do lençol freático, aplicação da pedra rachão – que servirá como base para o muro de proteção -, e outras etapas técnicas.

 

Segundo informou a prefeitura, o modelo adotado para o fechamento da área tem características diferenciadas: a parte inferior, com 1,10 metro de altura, é totalmente vedada, garantindo segurança e delimitação da obra. Acima desse ponto, até 2,20 metros de altura, foi instalado um gradil que permite a visibilidade do público.

 

“O objetivo é assegurar a proteção da área e, ao mesmo tempo, possibilitar que moradores e visitantes acompanhem o andamento dos trabalhos”, disse o secretário de Planejamento e Desenvolvimento Urbano, Carlos Humberto Silva.

 

Sobre o projeto

 

 

 

A nova orla da Praia Central contará com pista de corrida, via para micromobilidade, ciclofaixa, paraciclos, dog parks, academias ao ar livre, quiosques, canchas de bocha, paisagismo e ampliação da área verde. O novo projeto também prevê o dobro de arborização.

 

 

A execução das obras deste trecho está a cargo da empresa FJ Construtora LTDA, com investimento total de R$ 31.098.488,88, valor que inclui mão de obra e fornecimento de todos os materiais necessários.

 

A iluminação do trecho será realizada pela empresa Mercolux Comercial Elétrica LTDA, no valor de R$ 3.736.213,00. O prazo máximo para a conclusão dos trabalhos é de 20 meses a partir da assinatura da ordem de serviço, feita no início de julho.

 

Caraguatatuba

 

Mar tem avançado sobre a orla do Massaguaçu

 

Em 2006 o DER(Departamento de Estrada de Rodagem) construiu um muro de contenção ao longo de dois quilômetros da praia do Massaguaçu, na região sul de Caraguatatuba, no Litoral Norte Paulista.  A obra, orçada na época em R$ 1,3 milhões, tinha como objetivo impedir o avanço do mar sobre o continente e proteger a rodovia Rio-Santos. Construída próximo a praia, a obra, no entanto, não chegou a ser concluída. Uma forte ressaca destruiu o muro.

Cinco anos depois, em 2011, Estado, através do DER  fez novos investimentos no trecho da praia de Massaguaçu, local, desta vez, utilizando uma nova tecnologia.  O Estado investiu R$ 3 milhões na construção de um talude de proteção nas proximidades do quilômetro 90, na praia de Massaguaçu. O objetivo era conter a erosão provocada pelo avanço da maré ao longo da praia. A obra foi executada pela empreiteira Compec Galasso com o objetivo de  impedir que o mar avance sobre a pista da rodovia Rio-Santos.

O avanço do mar continuou e continua sendo implacável na orla de Massaguaçu, em Caraguatatuba. A força da maré permanece provocando erosões ao longo da praia e ameaçando o acostamento da rodovia Rio-Santos. A orla de Massaguaçu vem sofrendo estragos desde a década de 90 devido os avanços do mar sobreo continente. Já foram destruídos pelo mar, uma rotatória que dava acesso ao bairro dos Tourinhos, alguns quiosques e, mais recentemente, os acostamentos da rodovia e trechos de um deck e ciclovia.

A Massaguaçu é uma praia extensa. O trecho mais afetado da rodovia fica entre os kms 89 e 92. Para fazer a contenção em três trechos da estrada o estado já gastou mais R$ 12 milhões.  Em 2021, novas obras de contenção, orçadas em R$ 7,4 milhões foram feitas ao longo da praia pelo Estado, sempre como objetivo de proteger a rodovia Rio-Santos.

Em 2021, a doutora Célia Regina Gouveia de Souza, na época, no Instituto Geológico, que estuda o litoral paulista desde 1992, com base em dados e mapas a partir 1962 e que conhece bem o problema do Massaguaçu, comentou que “obras de concreto, estruturas rígidas, jamais foram soluções corretas para resolver a erosão que atinge a Massaguaçu.  Ela afirmou, na ocasião, que o mar procura espaços livres para avançar sobre o continente. A solução para o Massaguaçu, segundo ela, seria recuar a rodovia para dentro do continente.

O engenheiro Leandro Borella, secretário de Obras do município, na época, disse que “apresentou a proposta para o DER, de recuar a rodovia, pois existe espaço ali para isso, mas que dependia de recursos estaduais ou federais para fazer essa obra”.

Atualmente, o Estado pretende duplicar a rodovia Rio-Santos, entre Caraguatatuba e Ubatuba. A sociedade civil cobra a realização de audiências públicas para discutir a duplicação. Umas das reinvindicações é que a duplicação no trecho de Massaguaçu seja feita distante da praia para evitar prejuízos ao turismo, proteção da orla e impedir que o avanço do mar cause estragos na rodovia.

 

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