Por Poio Estavski
A cidade de São Paulo sediou, entre os dias 2 e 8 de agosto, a edição 2025 da São Paulo Climate Week, um dos principais encontros de articulação climática da América Latina. O evento reuniu instituições nacionais e internacionais, representantes de governos, empresas, universidades e organizações da sociedade civil em torno de soluções concretas para a emergência climática.
No dia 6, no AYA Hub – centro de inovação e arquitetura regenerativa na Cidade Matarazzo –, aconteceu a mesa “Oceano em Movimento: Clima, Comunidade e Conservação”. O painel reuniu representantes da Conservação Internacional, Instituto de Cultura Oceânica, Ambition Loop, Instituto Aprender Ecologia e Instituto Conservação Costeira (ICC), em uma conversa direta sobre os impactos da crise climática nas regiões costeiras e oceânicas, e sobre as respostas que já vêm sendo construídas a partir dos territórios.
Representando o litoral norte paulista, o ICC apresentou o projeto Restaura Litoral, criado após a tragédia de fevereiro de 2023, quando chuvas extremas deixaram 64 mortos em São Sebastião. O projeto mapeou 853 cicatrizes ambientais e restaurou 203 hectares de áreas degradadas com o uso de drones, geotecnologia e biocápsulas com sementes nativas da Mata Atlântica. Parte dessas áreas está dentro de Unidades de Conservação, o que exigiu um esforço jurídico e técnico inédito para viabilizar a restauração com responsabilidade e inovação.
Premiado internacionalmente, o Restaura Litoral posicionou o ICC como referência nacional em regeneração climática com base comunitária. Em 2024, o Instituto foi reconhecido como a Melhor ONG do Brasil na categoria Meio Ambiente e Sustentabilidade pelo Prêmio Melhores ONGs, promovido pelo Instituto Doar e Ambev VOA. O ICC também ocupa a única cadeira do terceiro setor no Conselho Estadual de Mudanças Climáticas e integra o Conselho Estadual de Meio Ambiente.
Durante sua fala, a diretora executiva e cofundadora do Instituto, Fernanda Carbonelli, afirmou:
“A Climate Week não é apenas uma vitrine, é um território vivo de diálogo entre quem está na linha de frente da crise. Nós subimos a serra para levar um recado claro: não falamos mais de mudanças climáticas, vivemos uma emergência climática. E diante dessa urgência, chegamos com aquilo que ninguém pode negar: resultado concreto, enraizado na ciência, na tecnologia e na escuta real das comunidades. O Brasil precisa compreender que a resposta não virá de promessas distantes, mas de ouvir e agir junto aos territórios que já enfrentam essa realidade todos os dias.”
Ao longo de sua trajetória, o ICC sempre operou com uma equipe pequena, mas gigante em dedicação, entrega e visão de futuro. No primeiro semestre de 2025, participou de um volume recorde de agendas institucionais — praticamente um evento por semana — levando sua experiência a fóruns sobre clima, justiça ambiental, políticas públicas e conservação. Com uma equipe diversa, ética e profundamente comprometida, o ICC é uma organização que vive o ESG de dentro para fora. Sua governança, sua conexão com os territórios e seu impacto direto fazem dela uma forte candidata ao Prêmio Melhores ONGs novamente em 2025.
Desde 2020, o Instituto Conservação Costeira vem passando por um processo consistente de amadurecimento institucional, mas foi no pós-tragédia de 2023 que a organização deu um salto de protagonismo. Com uma atuação firme e propositiva, o ICC alçou novos voos, consolidando parcerias estratégicas, ampliando sua influência em políticas públicas e iniciando projetos com alto potencial de impacto. Um exemplo disso é o projeto Escolas Seguras — uma iniciativa pioneira de educação climática e gestão de riscos desenvolvida em parceria com o Cemaden e patrocinada pela ONG Gerando Falcões. A proposta já desperta o interesse de diversas cidades do Estado de São Paulo que buscam replicar a experiência em seus territórios. O que começou como resposta à tragédia, hoje se transforma em referência para um futuro mais resiliente.
A presença do ICC na Climate Week 2025 reafirmou que os territórios não estão apenas pedindo atenção: estão liderando a resposta. E o Instituto Conservação Costeira segue demonstrando, com trabalho e consistência, que é possível enfrentar a crise climática com profundidade, inteligência coletiva e compromisso real.

